sexta-feira, 19 de julho de 2013

Campanha Segurança na Água - Afogamentos em Crianças e Jovens em Portugal


Afogamentos em Crianças e Jovens em Portugal


Atualização de casos – Julho de 2013


(documento de referência Relatório 2002-2010)

 


 


1. Mortalidade e Internamentos

 
Nos últimos 11 anos ocorreram pelo menos 198 afogamentos com desfecho fatal em crianças e jovens (187 casos mortais, entre 2002 e 2011, de acordo com INE – quadro 1, mais, 11 casos de morte registados na imprensa, em 2012).

 

Ao contrário do que aconteceu nos 6 anos anteriores (2005-2010), o número de mortes por afogamento diminuiu para 7 no último ano para o qual existem dados disponíveis (2011) – bastante abaixo da média de mortes/ano registada entre 2005 e 2010, 16,5. De fato, desde 2005, altura em se verificou um decréscimo no número de casos fatais, que o número de mortes por afogamento por ano mantinha-se relativamente estável.

 

Ano
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Mortes
28
26
27
18
17
11
17
17
19
   7
Total
 
 
187

Quadro 1 - Total de mortes por afogamento por ano até aos 18 anos (CID-10: W65- W74, Y 21, INE)


(nota: para os anos de 2009, 2010, 2011 não foi possível desagregar os dados, pelo que, nestes casos, o número de afogamentos inclui os 19 anos)

 

Para além das mortes por afogamento verificadas nos últimos 11 anos, existe ainda a registar 447 internamentos na sequência de um afogamento - o que significa que por cada criança que morre 2 a 3 são internadas. Ao contrário das mortes, os internamentos por afogamento têm vindo a diminuir gradualmente, sobretudo a partir de 2006, à exceção do ano de 2012.

 

Ano
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
Internamentos
49
58
39
47
46
38
35
35
36
21
   43
Total
 
 
 
447

Quadro 2 - Total de internamentos por afogamento, por ano até aos 18 anos (GDH, CID-9:E910, ACSS)


 
A maior parte das crianças e jovens que foram internados na sequência de um afogamento tinham idades compreendidas entre os 0 aos 4 anos.

 

 
0-4 anos
5-9 anos
10-14 anos
15-18 anos
Total
Internamentos
2002 - 2012
204
81
92
70
447

Quadro 3 - Total de internamentos por afogamento, por ano e faixa etária (GDH, CID-9:E910, ACSS)


 

2. Estudo de casos recolhidos na imprensa (2005 a 2012)


 

Em 2012, a APSI recolheu e analisou 18 (novos) casos de afogamento em crianças e jovens até aos 18 anos, publicados na imprensa (11 dos quais fatais). Esta recolha, apesar de não abranger o número total de afogamentos que ocorrem, tem permitido, ao longo dos anos, identificar os padrões de ocorrência deste tipo de acidente.


 

Dos 125 casos de afogamentos de crianças e jovens até aos 18 anos, publicados na imprensa nacional entre 2005 e 2012 e analisados pela APSI, e no que diz respeito ao sexo das crianças e jovens, 70,4% dos afogamentos ocorreram com rapazes (n=88) e 25,6% (n=32) com raparigas. Em 5 casos desconhece-se o sexo da criança.

 

 
0-4 anos
5-9 anos
10-14 anos
15-18 anos
Idade desc.
Piscina
17
5
4
1
1
Tanques, poços
17
8
3
0
-
Rio, ribeira, lagoa
2
8
14
9
1
Praia
3
3
7
7
8
Outros
4
3
0
0
-
 
43
27
28
17
10

Quadro 4 - Afogamentos crianças e jovens 2005-2012, casos recolhidos pela APSI na imprensa

 

Quanto à idade, 34,4% das crianças tinham entre os 0 e os 4 anos, 22,4% entre os 5 e os 9 anos, 21,5% entre os 10 e os 14 anos e 13,6% entre os 15 e os 18 anos. Em 10 dos casos desconhece-se a idade das crianças.

 

No que se refere ao ambiente aquático onde ocorreu o afogamento, verifica-se que 44,8% (n=56) dos afogamentos ocorreram em planos de água construídos (tanques, poços, piscinas) e 49,6% (n=62) em planos de água naturais (praias, rios/ribeiras/lagoas). Existem ainda 7 casos de afogamentos que ocorreram em outros locais, como por ex., fonte, mina, vala, caixa de esgoto, tina de água, balde e bidão de água.

 

Quando se desagrega os diferentes locais incluídos em cada ambiente aquático, os rios/ribeiras/lagoas são os planos de água com maior registo de afogamentos (27,2%, n=34) seguidos dos tanques e poços (22,4%, n=28) e piscinas (22,4%, n=28). A praia é o plano de água com menos registos de afogamentos (22,4%, n=28).

 

 

Uma análise mais detalhada por tipo de plano de água, considerando a idade das crianças e jovens, permite verificar que os afogamentos com crianças mais novas tendem a acontecer mais em ambientes construídos e com crianças mais velhas em ambientes naturais:

 

o  A maior parte dos afogamentos em piscinas aconteceram com crianças dos 0 aos 4 anos (n=17)

o  Mais de metade dos afogamentos em tanques e poços ocorreram com crianças com idades entre os 0 e os 4 anos (n=17) e crianças entre os 5 aos 9 anos (n=8)

o  Nos rios/ribeiras/lagoas os afogamentos aconteceram mais no grupo dos 10 aos 14 anos (n=14)

o  Nas praias os afogamentos verificaram-se mais a partir dos 10 anos

 

Quanto à altura do ano, em todos os meses há registo de afogamentos, sendo Julho (23,2%), Agosto (16,8%) e Junho (12,8%) os meses onde se verificam mais casos.

 

 

Nota: De acordo com a OMS, o afogamento consiste no comprometimento das vias respiratórias em resultado de imersão ou submersão em líquido. Pode ser fatal ou não fatal.

 

 
Esta atualização de dados, elaborada tendo como base o relatório bianual da APSI sobre afogamentos, cuja última versão foi lançada em 2011, “Afogamentos em Crianças e Jovens em Portugal, 2002-2010”, foi apresentada a 17 Julho de 2013, no âmbito da Campanha da Água 2013

Campanha Segurança na Água 2013 - Recomendações


 
Recomendações para o Governo
 
1. Traçar uma estratégia global para a prevenção do afogamento com crianças e jovens

O PASI, Plano de Ação para a Segurança Infantil, inicialmente coordenado pela APSI e, desde Maio de 2009, sob a coordenação oficial do Alto Comissariado da Saúde, e atualmente pela Direção-Geral da Saúde, já integra algumas das medidas necessárias e pode ser a resposta a esta recomendação, quando aprovado e implementado. De facto, contempla a atuação na área da segurança na água em 3 das suas áreas prioritárias de intervenção: Sistema de Informação Integrado, Segurança nos Espaços de Turismo e Lazer e Acidentes dos 0 aos 4 anos em ambiente doméstico/familiar.

2. Promover com urgência a sistematização e coordenação da informação estatística e melhorar a recolha e tratamento de dados e sua disseminação. Só assim, a real dimensão da situação nacional sobre esta problemática (análise das faixas etárias, tipo de meio aquático envolvido, lesões, tratamentos hospitalares, custos económicos, etc.) poderá ser conhecida e poder-se-ão definir estratégias direcionadas e eficazes. O segredo estatístico dificulta a caracterização do problema, a definição das áreas prioritárias de intervenção e a evolução da mortalidade por faixas etárias.

3. Publicar, atualizar e rever a legislação relacionada com piscinas, poços, tanques, banhistas e campos de férias.

4. Promover a implementação de um programa de visitas domiciliárias a famílias com crianças que inclua a educação para a saúde e avaliação de risco do ambiente doméstico na perspetiva da prevenção de afogamentos (detetar poços, tanques, piscinas sem proteção; verificar a zona de lavagem de roupas, etc.).

5. Apoiar o desenvolvimento de iniciativas nacionais e locais de sensibilização da população e formação de profissionais na área da prevenção de afogamentos e segurança na água de forma coordenada e sob a orientação do PASI (campanhas, seminários, ações de formação).

6. Incluir a formação em primeiros socorros nos currículos escolares do ensino obrigatório, nomeadamente ao nível do 3º ciclo do ensino básico.

7. Introduzir nos currículos escolares uma vertente de educação sobre segurança em meio aquático, nomeadamente aulas de natação.

 

Recomendações para os organismos do poder local (municípios, serviços locais de saúde, educação e segurança social, turismo)  


1. Realizar o levantamento de todas as piscinas, poços e tanques e outros planos de água existentes a nível local (distrital, municipal).

2. No caso dos planos de água que possam constituir risco para a saúde pública, informar e fornecer apoio técnico aos proprietários de modo a que possam protegê-los eficazmente e verificar que as recomendações são cumpridas.

3. Desenvolver programas de intervenção integrados adaptados às realidades locais e/ou planos concelhios para a segurança na água (incluídos nos Planos de Diretores Municipais).

4. Incluir nos planos de ordenamento dos diferentes planos de água medidas de prevenção de acidentes associados ao meio aquático.

4. Promover ações de esclarecimento abertas à população em geral e sessões de educação para a segurança da criança na água incluídas nas visitas domiciliárias, consultas de saúde infantil e nos estabelecimentos educativos.

5. Disponibilizar informação sobre a segurança da criança na água a todas as famílias residentes, turistas e profissionais.

6. Divulgar boas práticas de gestão e funcionamento para gestores e operadores de serviços e atividades recreativas relacionadas com o meio aquático e promover a sua implementação.

 

Recomendações para as escolas, campos de férias, atividades de tempos livres


 1. Fazer o levantamento e avaliação de risco das condições existentes no local habitual de realização das atividades e nas redondezas.

2. Fazer o reconhecimento prévio de locais desconhecidos onde vão ser realizadas atividades com crianças, avaliando o risco associado à existência de locais com água, suas características e necessidade de medidas complementares de proteção.

3. Adotar boas práticas de gestão e funcionamento nos serviços e atividades recreativas relacionadas com o meio aquático.

4. Adaptar o número de adultos com responsabilidade de supervisão ao número e idade das crianças, assim como, ao tipo de atividade e meio aquático.

5. Garantir que todos estes adultos sabem nadar e intervir em caso de acidente (formação em suporte básico de vida) e que têm os meios necessários para prestar um socorro rápido.

6. Informar os nadadores-salvadores e/ou as autoridades locais sobre o número de crianças e atividades que vão ser realizadas e local exato onde vão estar, assim como, horário.

7. Garantir que as crianças utilizam os auxiliares de flutuação adequados à atividade e ambiente aquático onde se encontram.

 

Recomendações para as famílias


 1. Manter uma vigilância ativa e permanente sempre que as crianças estejam a tomar banho, a brincar na água ou perto de locais com água (banheira, piscinas insufláveis, piscinas, poços, tanques, lagos, albufeiras, praia).

2. Verificar o ambiente físico do dia a dia da criança e fazer as alterações necessárias para reduzir o risco de afogamento - casa de banho, zona de lavagem de roupa, ...

3. Vedar piscinas e proteger/cobrir poços e tanques.

4. Escolher locais vigiados para tomar banho e nadar (praias, rios, piscinas).

5. Colocar sempre braçadeiras às crianças que não sabem nadar bem quando estão a nadar ou a brincar perto de águas calmas, translúcidas e pouco profundas. Estas devem ter preferencialmente duas câmaras-de-ar independentes em forma de anel à volta do braço e cumprir a norma de segurança respetiva.

6. Na prática de desportos náuticos, ou passeios de barco, em águas agitadas ou turvas, colocar a todas as crianças, independentemente da sua idade, coletes salva-vidas adaptados ao seu peso (não podem ser insufláveis).

7. Tirar um curso de suporte básico de vida.

8. Ensinar às crianças, à medida que vão crescendo e de forma adaptada à sua idade e fase de desenvolvimento, comportamentos seguros na água explicando os riscos (não mergulhar em locais onde se desconhece a profundidade; nadar apenas quando estiver um adulto presente e em locais vigiados; se alguém estiver em dificuldades, ligar o 112; não entrar na água para tentar salvar sem o devido equipamento de socorro; etc.).

9. Ser mais responsável, crítico e exigente: denunciar práticas perigosas, solicitar apoio técnico da autarquia ou outros serviços, verificar as condições das atividades/locais em que as suas crianças participam (idas á praia com escola, festas de anos, desportos aquáticos), participar nas reuniões de pais e/ou nas assembleias de freguesia  e outras formas de intervenção na comunidade.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A APSI vai estar


15 de julho

9h30m – 17h00

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

Aces Sintra - UCC Abraçar Queluz – Massamá

 

16 de julho

10h30 – 12h00

Ação para crianças sobre Segurança nas Atividades ao Ar Livre

Ludoteca Torreguia – Alcoitão

Parceria com a Câmara Municipal de Cascais

 

15h00 – 16h30

Ação para crianças sobre Segurança nas Atividades ao Ar Livre

Ludoteca Alto da Peça, Alcabideche

Parceria com a Câmara Municipal de Cascais

 

18 de julho

9h30 – 17h00

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

Aces Beja - USF ALFA Beja

 

20 de julho

10h00 – 13h00 e 15h00 – 18h00

Clinica de Segurança Infantil

Parque Quinta da Alagoa, Carcavelos

Parceria com a Câmara Municipal de Cascais

 

22 de julho

10h00 – 17h00

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

Centro de Saúde de Estremoz

 

23 de Julho

10h00 – 1700

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

USF Planície – ACES Évora

 

26 de julho

 16h30 - 19h30

Evento Avós Prevenidos, Netos Seguros - entrada gratuita
 
Colégio Santiago, Carnaxide

 

 

29 de julho

10h00 – 1700

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

Centro de Saúde de Alcácer do Sal

 

30 de julho

10h00 – 1700

Consultas de Segurança Infantil em Centros de Saúde – Segurança da Criança Passageira  - Projeto MAI 2010

Centro de Saúde de Sines

terça-feira, 9 de julho de 2013

Clínica de Segurança no Parque Outeiro de Polima





Estas são imagens da Clínica de Segurança Infantil que se realizou no passado sábado, no Parque Outeiro de Polima, em S. Domingos de Rana.
Contámos com a presença e participação da madrinha da APSI, Ana Galvão, e de algumas famílias, que mesmo com o calor que se fazia sentir, não dispensaram esta ação.
A próxima Clínica de Segurança Infantil está marcada para sábado, dia 20 de julho na Quinta da Alagoa. Apareçam!