segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Opinião APSI: Crianças e Álcool Gel



A APSI alerta as famílias, sobretudo com crianças mais pequenas, para alguns riscos na utilização de álcool gel.  

Tem havido um aumento de intoxicações com este tipo de produto e outros de desinfeção das superfícies, pela maior utilização inerente à situação de pandemia. 

Existe risco de intoxicação quando as crianças ingerem o produto e, de acordo com o CIAV - Centro de Informação Anti-Venenos (800 250 250), nos últimos meses tem havido um aumento no número de casos reportados. Felizmente, a maior parte não são situações muito preocupantes, uma vez que a gravidade varia consoante o volume de álcool no produto e a quantidade ingerida. Mas mesmo uma pequena quantidade, dependendo do peso e da idade da criança, pode ter consequências.

Pode haver situações graves em que é necessário recorrer ao 112. Por exemplo, se a criança desmaiar, tiver convulsões, dificuldades respiratórias ou o adulto não conseguir acordá-la. 

Por isso, é fundamental que se crie o hábito de guardar estes produtos logo após a sua utilização, em locais fora do alcance e da vista das crianças e que não se faça transvase para garrafas de água ou de outras bebidas. 

Acidentes com dispensadores de álcool gel, verticais que se acionam com pedal ou doseadores de fácil acesso, principalmente em locais públicos, de trabalho ou em escolas, também chegaram ao conhecimento da APSI. O orifício por onde sai o álcool fica acima ou à altura da cara das crianças, havendo risco de o líquido atingir diretamente os olhos, provocando lesões, como por exemplo queimaduras da córnea que podem exigir tratamento hospitalar.

Acontecem sobretudo quando o adulto aciona o dispositivo com a criança próxima dele, ou quando esta o aciona sozinha. 

É isso que testemunha a mãe Ana Mendes:

“Estava cheia de pressa para deixar o meu filho e como habitualmente quando entramos em algum espaço desinfetamos as mãos. Coloco sempre o gel nas minhas mãos e desinfeto as do Afonso, mas naquele dia pedi-lhe que pusesse as mãos por baixo do frasco e carreguei. Saltou diretamente para o olho dele. Lavamos imediatamente, mas o mal estava feito. Aguardamos, lavagens sem conta com soro, acabamos nas urgências, resultado - lesão de 3mm na córnea. Após esse episódio já me dei conta que em todos os locais a altura dos recipientes de álcool está mesmo à altura da carinha dele e é um perigo!!!”

É com muita satisfação que na APSI recebemos a notícia que o Afonso está recuperado, mas infelizmente, poderá haver casos em que a recuperação seja mais lenta e difícil.

Sobretudo nas crianças, o gel desinfetante só deve ser utilizado quando não há hipótese nenhuma de lavarem as mãos com água limpa e sabonete ou sabão, durante pelo menos 20 segundos, respeitando os procedimentos indicados pela DGS.

Caso seja necessário utilizar álcool gel fora de casa, o adulto deve desinfetar primeiro as suas próprias mãos, e só depois, com elas já desinfetadas, deverá retirar e colocar nas mãos da criança a quantidade de gel necessária, ensinando-a a esfregar bem toda a superfície até que a pele esteja seca.

 

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